segunda-feira, 26 de abril de 2010

Respondendo a algumas perguntas…

Sim, continuo de baixa.
Como vou indo? Uns dias maus outros piores, alguns bons. Quando estou sentada e depois tenho que me levantar e andar, os meus joelhos parecem não querer funcionar e doem-me imenso. Coxeio quando começo a andar sempre que estou antes parada. A própria base do pé dói e custa a andar até apanhar o ritmo.
Quanto tempo vou ficar de baixa? Não sei. Não quero ficar muito tempo pois temo pela nossa liberdade e estabilidade financeira, mas há dias em que agradeço aos céus não ter que ir trabalhar pois juro que não conseguiria. Nunca sei quando acordo sem dores agoniantes no meu hematoma da perna ou no cateter ou na fistula. Cada dia é uma aventura no desconhecido da dor. Cada vez me habituo mais a sentir constantemente algum tipo de dor e já deixei até de tomar o comprimido que servia de analgésico pois já nem faz efeito.

O que sinto? Raiva, frustração, inquietação, medo, saudade. Raiva e frustração quando algo me relembra que já não estou equivalente a qualquer outro ser humano saudável, pois não sou saudável. Quando isso acontece? Quando por exemplo me apercebo que não posso beber sempre água quando tenho sede. Que não posso ir comer um gelado quando sentir calor e vontade. Que não posso comer fruta livremente. Que nem sequer feijão frade ou sopa posso comer. Que não consigo correr e que no supermercado tenho que me proteger de possíveis cotoveladas ou empurrões na fistula. Quando alguém vislumbra um bocado do penso do cateter no peito/pescoço e que por isso fica a olhar com aquele “olhar” – um misto de curiosidade, pena e medo.

Toda a minha vida tentei ser igual aos outros, invisível, mas mantendo a minha individualidade. Matar ou morrer, mas nunca desistir. Saber quando respirar e quando atacar. Um sorriso perante o medo e uma lágrima quando sinto tristeza.

Agora já não sou igual aos outros. Nunca voltarei a poder tentar ser. Mas também não sou individual. Neste momento parte do que fazia o meu “eu” perdeu-se. Perdi e continuo a perder numa luta que ainda agora começa e para a qual ainda não sei como lutar. Não desisto, mas não me encontro a vencer. Isso é de certeza. E isto é como me sinto.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Arrependimentos e Saudades

Tirei finalmente os pontos da fístula. Tem assim o formato de uma linha semi arredondada com 8 pontinhos de cada lado que era aonde estavam os pontos. Fica na dobra de dentro do braço esquerdo e funciona. Quando lhe toco sinto aquele vibrar típico da coisa. Detesto-a. É uma marca definitiva das dores que irei ter quando for usada para os tratamentos. Só de imaginar que irei ser picada sempre, 3 vezes por semana, naquele braço com aquelas agulhas que de pequenas não teem nada… ate tremo.

A única coisa boa da fístula é que me irá fazer tirar definitivamente o cateter que tenho no peito e que parece começar a provocar-me alguma alergia ou irritação na pele e isso pode desenvolver em infecção. O que não quero. Não quero nada disto. O que queria era ter apenas os problemas normais de uma pessoa de 26 anos. Queria andar preocupada com o que dar o António para os anos dele quando os mesmos se aproximam a correr. E não andar preocupada com a consulta de transplante em santa cruz na próxima terça da semana que vem. Não andar preocupada com os quilos que ganho se beber mais água. Não andar preocupada com os horários dos remédios. Não andar preocupada com os pagamentos das baixas. Não andar preocupada com os tratamentos e merdas afins.

Ate o simples prazer que eu tinha de tomar banho me foi tirado. Agora demoro uns 40 minutos minuciosos em que tenho que ter cuidado com o penso do cateter para não o molhar, com a fístula para não lhe tocar e o caralho afins. Tiraram-me todo e qualquer pequeno prazer que tinha antes. Nada de fruta, nada de água, nada de nada. Nem vontade para o que quer que seja tenho.

A única coisa que sei é que não posso parar. Se paro, nunca mais consigo continuar. Por isso continuo. Por isso pedi ao António para trazer a bicicleta de ginástica que temos e monta-la na sala. É o eu me ajuda a continuar quando tudo o resto me puxa para baixo. Ultimamente ate as minhas articulações me parecem castigar mais quando estou algum tempo parada e me tento mexer de novo.

Como o António diz: ele, que sempre bebeu na juventude, e que fuma que nem uma chaminé e come todo o tipo de merdas e doces, está ali forte que nem um touro. Eu, que sempre tentei comer saudável, nunca fumei, nunca bebi álcool nem fiz merdas, tou aqui a cair de podre.

E no meio disto tudo, ate sinto saudades dos clientes a reclamar e dos meus colegas “chatos”. O que eu não dava para poder voltar a esses tempos e dar-lhe o devido valor. :(

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um dia de cada vez

Agradeço o apoio e as mensagens/emails de todos.

Não coloquei o post abaixo na procura desse apoio, mas mais como uma válvula de escape. Uma forma de processar e tentar respirar, acalmar-me. Funciono melhor assim.

Entretanto já estou em casa desde o dia em que coloquei o post abaixo e tenho ido ás sessões de diálise. O meu cateter central já não dói, incomoda apenas. Mas finalmente ontem tirei o penso que tinha no pescoço, junto com os pontos, o que faz com que, quando cicatrizar a ferida dos pontos, não se note nada pois a ligação do cateter fica mais abaixo perto do seio. Claro que eu sinto-o sempre e sei que esta lá…

Fiz a fístula no braço esquerdo e essa sim dói-me. Ando a tomar analgésicos, mas não deixa de me incomodar bastante e relembrar com qualquer ligeiro movimento que esta lá. As indicações gerais para tratar uma fístula são: não mexe, não toca, não molha, não nada. E eu que estou a mudar de casa (aleluia!) não poso fazer nada. O António tem feito tudo. É como se tivesse um gesso na perna que tem os hematomas (que continuam a doer se não colocar o analgésico pomada Volterain) e no braço da fístula.

Sinto-me uma incompetente que nem a própria loiça consegue lavar. No inicio da colocação da fistula, ate lavar o cabelo tive que pedir ao António. E para atar os meus próprios tennis tem que ser com ajuda dele. Odeio isto! Nunca na minha vida me senti tão indefesa e nunca precisei tanto de me sentir activa.

Já experimentei subir a rampa da minha futura ex-casa (aleluia!) e consegui faze-lo de uma só vez. Mas ao chegar a casa tenho que me sentar pois já venho tonta, sem ouvir do ouvido esquerdo e com uma quebra de tensão ou ma disposição. A mesma que me acontece no final de cada hemodiálise.

Pelas minhas contas, nos dias da hemodiálise irei dormir com sorte 2h. é o tempo que me sobra quando venho de lá. Infelizmente não tenho conseguido dormir durante o processo e duvido que, quando mo fizerem usando a fístula (o que implica picarem-me directamente a veia sempre durante 4h) duvido ainda mais que o consiga fazer. Vais ser muito complicado, mas vai ter que ser.

Por enquanto aguardo pela carta para ir a uma consulta de transplante, aonde me vão mandar ir a um dentista e ginecologista para confirmar que não tenho infecções. Mais dinheiro. Mais tempo. Mais paciência. Tudo coisas que já são escassas ou que tenho em pouca quantidade.

As baixas que enviei ainda não aparecem no site da Segurança Social e as que aparecem há já 3 semanas, ainda não foram pagas. Portugal é um pais lento e pequeno sem duvida.

E entretanto ando todos os dias da hemodiálise a pagar 4 euros no mínimo de táxi para la e para cá e dizem-me que no final do mês, para enviar os recibos que depois pagam. E quem garante que eu tenho o dinheiro agora para o desembolsar? Que justiça é essa? Os bombeiros não se pagam, mas os bombeiros são 2 ambulâncias para levar já 8 pacientes idosos. Se já me sobram apenas 2h vindo de táxi, imaginem como seria se andasse de ambulância..

Ate a casa nova já deu dores de cabeça. Os últimos inquilinos apenas deram 1 chave de casa. Conclusão, ficaram com chaves para eles! Porque ninguém tem apenas 1 chave da porta da entrada. Não enganam ninguém. Nem o proprietário acreditou quando eles responderam que não tinham mais. Mas o resultado foi que o António não descansou até mudar as fechaduras do correio e da porta de entrada. A brincadeira ficou-me em 160€.

Dia 5 vai ser o caos. Tenho a deslocação ao médico de família para pedir prolongamento da baixa; instalação de: luz, tvcabo e gás – por esta respectiva ordem. Espero que não me chumbem o gás. Só a instalação da merda do esquentador novo vai ser 80€.

Sei que tenho que ter calma e aguentar, ser positiva e tudo o mais. Mas no meio disto tudo, não me apetece chorar (tenho-o feito ás vezes, sozinha e de forma espontânea), apetece-me gritar. Life sucks big time guys.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A minha vida como uma doente renal crónica

Inocentemente pensei que escondia uma gravidez tão ansiada por ambos. Mal eu sabia que a cada momento que passava era cada vez mais cúmplice de uma doença velhaca e falsa. Comecei por deixar de ter o período no final de Dezembro, coincidindo de uma forma diabólica com uma possível concepção no ano novo. A minha alegria em 3 meses se tornaria num pesadelo. A seguir vieram os enjoos, que olhando agora para trás, já existiam mesmo antes. E eu que os ignorei. Ignorei teimosa e estupidamente os avisos que o meu corpo me dava. A seguir foi a falta de apetite, o facto da comida me saber a diferente enjoar certos cheiros. Acho que psicologicamente muitas das minhas reacções foram psicossomáticas pela ideia de estar grávida. E eu que me mantinha alegre cada dia que passava pois era mais um dia perto do dia D do meu futuro filho. O nosso filho. Já pensava se a barriga que crescia era mais puxada para fora e sendo assim menino ou se estava mais arredondada e assim menina. Coisas de velhas, mas verdadeiras á séculos. Aguentava os enjoos e teimosamente dizia a quem me via pálida e fraca que estava bem, era da gravidez, que iria ao médico sim, mas apenas ao terceiro mes era um medo muito grande, então fugia da ideia de ir ao médico tão cedo. Tentava não azarar esta gravidez, esconde-la o melhor possível para que nenhum mal a encontrasse. Tentava na minha inocência estúpida ser uma boa mãe. Comia muita fruta e beber muita água. Andava a envenenar-me aos poucos.

As idas para o trabalho eram um pesadelo. Mal conseguia dar 5 passos sem sentir que ia morrer, que o meu coração ia explodir e que o mundo girava no sentido oposto. A mala que normalmente nem ia muito cheia, parecia agora cheia de pedregulhos. E o regresso a casa era ainda pior, sendo que a ideia de subir a rampa da minha rua era como subir o Evareste, e mais do que muitas vezes gastei dinheiro que não tinha em táxis só para fazer o percurso da estação ate casa. E não comia, pois o apetite era nenhum, só dormia e sofria com um sabor a fogo e acido na garganta. A minha língua toda branca e a minha pele pálida.

Esperava pelas férias marcadas no final do mês de Março para começar o inicio das idas ao médico e do acompanhamento da minha tão protegida gravidez. Tinha o teste da farmácia em casa fazer, mas a certeza de que era uma gravidez o que causava todos estes sintomas… nunca o cheguei a fazer ate ser tarde demais. Não aguentava mais e a 8 de Março lá fui eu ao centro de saúde ver o meu médico de família para algum alívio para o estômago e para uns nódulos dolorosos que me tinham aparecido entretanto na perna esquerda. Ia começar o acompanhamento. Estava na realidade a dias de conhecer a minha amiga velhaca.

Primeira coisa que o doutor disse foi que não ia mais trabalhar e que não o faria para o restante tempo de gestação. Senti o alívio de não ter que fazer o percurso casa-trabalho que tanto temia. Fiz as contas a vida e financeiramente era suportável. Deu-me 4 dias de baixa e um exame de sangue para comprovar a gravidez e poder depois passar-me a baixa maior por gravidez de risco. Sou hipertensa e parecia um cadáver exausto. Até sentar-me era um esforço. Falar também. Fui fazer o teste, dar o sangue e recolher o resultado. Dia 11 estava pronto o resultado. Quis uma intuição ou receio feminino que eu fizesse o teste da farmácia por descargo de consciência na madrugada do dia 11 de Março. E o resultado deu negativo. Mas não foi um negativo possível, mas um bastante visível. Apenas uma linha vermelha no lado do C. Significado: Negativo. Não entendia. Não fazia sentido. Mas ainda assim pensei que o facto de não andar a comer nada de jeito e de ter feito o teste ao final do dia e não com a primeira urina da manha… era esse o motivo. Só podia.

O resultado do teste d sangue dizia não grávida.

Senti-me ferida. Ele sentiu-se ferido e magoado. Sentimo-nos confusos e amargurados. Então que raio tinha eu? Estava doente a serio. O médico de família não sabia descortinar os meus sintomas imensos e caóticos. Um historial de ma disposição com quase 3 meses. Encaminhou-me para o hospital de cascais. O novo. Aquele que é grande e lindo e o qual preferia nunca ter conhecido na vida.

Contar todo o historial. Mil e um exames, tira aqui, pica ali, xixi acolá, deita aqui, despe, coloca bata e liga cateter. Liga cateter aonde? A máquina de hemodiálise. Hemodiálise? O que é isso? Ah, você esta com uma grande anemia. Eu sei, não consigo ter nada no estômago para alem de algumas bananas e agua e mesmo isso vómito. Tenho ate tomado Centrum Materna para receber mais cálcio e ferro mas não tem ajudado grande coisa. Esta maquina vai dar-lhe 3 unidades de sangue e f azer o processo de hemodiálise. Mas o que é a hemodiálise? E não me lembro de mo terem explicado, estava demasiado fraca. Mas lembro-me da cara dele quando eu lhe repeti o que os médicos tinham dito. Hemodiálise? Sim, ou diálise, não sei bem. É basicamente sangue para a anemia. Mas ele muito preocupado foi falar com os médicos. E voltou com uma cara que demonstrava que já tinha sido apresentado a minha velhaca amiga.

A porcaria de veias e a maquina que apita a noite toda. Não mexa a perna. Mexeu. Não mexi. Mexeu. A máquina avariou de vez. Fui enviada para o hospital da especialidade, santa Cruz em Carnaxide. Cá me explicaram o que é hemodiálise e fui apresentada a minha amiga.

O dicionário diz que hemodiálise é:

E nesse instante eu tornei-me numa doente renal crónica.
Pensava-se que haveria hipótese de algum tratamento que pudessem colocar os meus rins a funcionar de novo porque a maquina e os técnicos que me fizeram a eco aos rins no hospital de cascais dizia que os meus rins eram de um tamanho saudável 12. Na realidade um é 8 e o outro é 9. Mirraram. Acontece a imensas das pessoas que estam comigo nesta enfermaria. Acontece a milhares de pessoas pelo mundo. Somos doentes renais crónicos. Precisamos de hemodiálise para fazer o que os rins não fazem. Temos cateteres e fistulas para nos ligarmos á máquina de hemodiálise 3 vezes por semana e retirar os líquidos que os nossos rins não processam. Entrei anémica e com o nível de creatinina a 24, sendo que uma pessoa saudável deve ter 0.9. Vinha envenenada.

Desde que comecei a hemodiálise já perdi 10kg só em líquido que trazia acumulado, que o meu corpo não expelia. Eu bebia 3 litros de água por dia e não urinava nem um terço. Como nunca tive problemas em urinar, nunca achei que fazia pouco, nem ardia nem cheirava muito mal ou tinha uma cor forte. Nunca pensei ter problemas com os rins. O que eu tinha era problemas de digestão. Aqui estava a velhaca da minha amiga. É assim que esta doença actua.

E foi assim que eu, que nunca tive nenhuma doença mais complicada do que constipações e a minha já familiar e controlada hipertensão, me tornei uma doente renal crónica. Mais uma na lista de espera por um transplante de rim. Por um dador compatível. Por uma luz ao fim do túnel. Ele é dador universal e esperamos que seja compatível. Eu sou tipo A Rh negativo. Todo o processo demora pelo menos 6 meses.

Sexta dia 20 de Março vou para casa. Adaptar-me a um corpo, a uma rotina, a uma nova vida que será a minha. Hemodiálise 3 vezes por semana na clínica, 4 horas ligada a maquina. Muito poucos líquidos, pouca água, cuidado com os alimentos, especialmente a minha tão adorava fruta.

E no meio de tudo isto ainda não chorei. Não posso. Se chorar vou-me abaixo e não sei se conseguirei voltar a achar forças. O caminho agora é em frente. Aprender o máximo sobre o inimigo e mostrar-lhe que sou mais forte do que ele. Porque sou. Estou ferida mas não vencida.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Hoe é dia 24/25 de Abril

Como eu nao consigo aceitar q estou a trabalhar neste momento e nos proximos 3 dias, apartir de agora é dia 24/25/26/27 de Abril. E que ninguem me contradiga sff.

Feliz dia 24 e 25 de Abril a todos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Today

I hate this day. It’s in this day that i create expectations about tomorrow and it’s tomorrow the day that disappoints me every time. Even when I try to make invert psychology with myself, it doesn’t work. Some way, somehow, I always make same kind of expectations and every single time I get disappointed. I really hate this. Every year.

terça-feira, 7 de julho de 2009

MUITOS PARABENS MEU ANJO :)

Parabéns para a São

Parabéns para a São

Parabéns para a São

Parabéns para a São

Parabéns para a São

Tralalalalalalalallaa….

Yeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee….

Adoro-te meu amor :)

Muitos parabéns! Que o teu dia hoje seja cheio de amor, paz, sorrisos e alegria :)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...