segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O que é insuficiência renal crônica?

Retirado de: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=celulas-tronco-revertem-insuficiencia-renal-cronica&id=3796

Várias doenças podem causar a insuficiência renal crônica, sendo a diabetes a principal causa. Pressão alta, rins policísticos, as nefrites, a pielonefrite também são causadoras do mal. "Há uma perda muito grande da qualidade de vida do paciente. Eles precisam fazer diálise três vezes por semana, em um procedimento que dura cerca de quatro horas", comenta a pesquisadora.

De acordo com Lúcia Andrade, em 2007, somente no Brasil, 73.605 pacientes estavam em programas de diálise (a maioria hemodiálise). Na região Sudeste, 18 mil pacientes estão em fila de espera para transplante renal. A taxa de mortalidade para pacientes em diálise é de 15%. "Nossa pesquisa é de extrema importância, pois é um grande avanço no estudo para tratamentos da doença renal", aponta.

Desculpem se não tenho escrito, mas não tenho simplesmente vontade. Nem sei se teria algo para dizer.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Em casa...

Desculpem não ter dito ainda nada. Já estou em casa. Correu tudo bem. Levei anestesia local, desde a clavícula ate ao fim da mão esquerda. Durante 24horas o braço nem parecia meu, parecia o de uma boneca de trapos.

Neste momento ainda estou em casa, de baixa de internamento que dura 12 dias, termina dia 18. Tenho algumas dores, o braço esta todo inchado e negro – um trambolho. Amanha tiro os pontos, mais um sofrimento. Ontem senti-me muito mal com hipotensões depois da diálise, ao ponto de ter chegado a 8/4 e ter desmaiado. Dei cá um tralho que até fiquei com um galo negro e inchado no meu joelho esquerdo.

É tudo a ajudar…

Obrigada pelo carinho, apoio e força. Para alem disso gostava que quem me visita, me desse noticias deles e delas mesmos. Saber só de mim é injusto. Eu também gostava de saber de vocês, especialmente aqueles que eu ainda mal conheço ou desconheço de todo.

Sei que eu é que devia de ir atrás e descobrir quem são, mas o tempo que suporto á frente deste PC é cada vez mais curto, com alguma pena minha. Um beijo grande a todos

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Terça-feira 06/09/10 - Internamento Sta. Cruz

Amanha sou internada no hospital Santa Cruz para na quarta-feira fazer uma cirurgia. Não é ainda o transplante, mas é uma cirurgia com anestesia geral. Tinha planeado deixar aqui algumas palavras que expliquem como me sinto e tenho vindo a sentir, mas a única sensação que tenho neste momento é de medo e tristeza. Quarta-feira pode ser o meu último dia neste mundo, é o que eu sinto. Nunca se sabe como uma cirurgia pode correr mal ou bem. E a minha tristeza é a de nunca mais poder amar a razão da minha vida o meu amor, ver os meus gatos, rir com os meus amigos, sentir o sol no meu rosto e nadar uma última vez no mar.

Eu quero viver. Não sei quantos dias ficarei no hospital, mas anseio mais do que tudo voltar para casa e poder escrever que estou bem, com dores horríveis ou não, mas viva. Eu quero viver.

Vou-me sentir tão sozinha naquele hospital…

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sanguessugas

Não venho cá hoje falar de animais, mas sim de montes de merda.

Eu acredito que a vida é karma. Tudo o que fazemos volta para nós, tenha sido algo nesta vida ou noutra, nada fica impune. Acredito ainda na força da justiça, na perseverança e esperança humana e em algumas situações, ate na pena de morte.

Isto tudo para dizer a quem ultimamente me tem enviado comentários destes:

“Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "A minha vida como uma doente renal crónica":

Cada um tem aquilo que merece...

Publicada por Anónimo em Páginas de uma Lua a 14:13 “

Que a vida é karma anormal. E que tudo o que damos, recebemos. E ninguém foge disso. Por isso corre e esconde-te. Mente e ofende. Engana e mata. Tudo dá a volta e acerta-te nas trombas. Odeio cobardes. Fracos. Pedaços de merda. Caixas ocas sem conteúdo. Aposto que este camelo até deve cheirar mal ao longe, tamanha é a merda que o constitui por dentro.

Quero ainda informar que existem pessoas (como eu) vingativas e amarguradas. Pessoas que parecem boazinhas, mas são cruéis. Essas pessoas (como eu) podem trabalhar num ISP nacional e terem acesso a dados mais confidenciais apartir de um comentário anónimo (como um IP da ligação) e através disso encontrar dados como num contribuinte ou mesmo nome completo, morada e dados de contacto. Em alguns casos ate encontram dados como números de conta bancária com debito directo activo.

Dito isto, votos de bom final de verão para todos (inclusive os pedaços de merda – olha o karma) e nunca se esqueçam que mesmo quando uma pessoa esta em baixo, o seu espírito nunca deixa de ser quem é. No meu caso, uma cabra vingativa.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Mais 1 ano que passou...

Sei que não tenho dado pio de vida, mas é apenas porque não sinto que tenha nada para dizer. Sinto que quando falo só faço pior. Os meus relatos ou descrições levam aqueles que me amam e vêem ler o blog ficarem mais preocupados e sem saber como lidar ou falar comigo. Apetece-me ficar zangada e gritar que continuo a ser eu mesma e que não tenho nada de mais. Mas já nem isso consigo fazer. A fúria é um sentimento pelo qual já nem forças tenho.

Julgam-me mais forte do que sou e mais frágil do que aparento. Custa-me o mundo e as estrelas ter que me fazer de forte perante os olhares tristes ou preocupados (ou os piores de todos, de pena…) que as pessoas que sabem me fazer. Irrita-me perguntarem-me se já estou melhor. Demonstra uma total incapacidade de compreender o que tenho e afinal percebo que não teem que perceber. Eu mesma não perceberia se não estivesse aqui assim.

Cada dia é uma luta. Luto contra a vontade de fugir, de chorar, de gritar. Escondo as lágrimas quando consigo. Não quero preocupar ainda mais, desesperar ainda mais quem me ama e não me consegue ajudar. Não consegue porque não existe ajuda que alguém me possa dar.

Quando olho para trás até penso que é tudo uma piada torcida para os apanhados. Que é um mega pesadelo parvo do qual vou acordar. Quando penso nas coisas que antes me preocupavam e ocupava a mente… parece mentira.

Quando me dizem para ser forte, coloco o meu sorriso mais amarelo. E quando chego depois a casa, quando estou sozinha.. choro. Choro de tristeza, algumas vezes de incapacidade e outras de dor. Choro porque não me resta mais nada. As minhas lágrimas são a última coisa que me resta.

Dia 20 tenho consulta em santa cruz. Em Agosto vou ser operada ao braço para conseguir usar a fístula em condições. Uns dias de hemodiálise correm bem, outros mal. Ir trabalhar é sufocante mas necessário financeira e mentalmente para mim. Tenho a agradecer imenso aos meus patrões, incríveis – eu já sabia – e que me surpreenderam imenso com o apoio que tenho recebido.

Descobri que nem todos os meus amigos eram meus amigos e que tenho amigos aonde não sabia.

Resta-me agradecer a todos os comentários, emails, sms, mensagens e apoio. Secalhar pareço ingrata, mas acreditem que dou valor.

Fiz 27 anos dia 10….

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Porque é que estamos falidos. Um email q recebi. Assino completamente em baixo!!!

Será possível que estes GAJOS (até se escreve com "G" de GATUNO, e tudo ...), não tenham vergonha de andar na rua e serem reconhecidos pela grande maioria das pessoas que não compram leite para os seus filhos ou medicamentos para os seus velhos, porque o magro salário ou pensão que recebem, não chega para tal? (ATENÇÃO: estou a falar como um dos "sortudos" que no meio de tudo isto, ainda conseguem ter um salário ou pensão!!).
Se é que algum deles ou dos seus "boys" (não se esqueçam que na lista ainda faltam esses!!), estão a ler isto, parece que os estou a ouvir comentar para o lado, onde está a amantissima esposa, ou a secretária ou uma das outras: -Olha lá está mais um comunista (ou bloquista, ou outra coisa do género) a chorar!

Não Carissimos "Gs", estão muito enganados!! Nunca fui comunista, nem bloquista, nem nenhuma das outras coisas que estão a pensar, nem sequer me passa pela cabeça vir a sê-lo. Aliás se eles existem e são assim tão "maus e perigosos" são o fruto da vossa maneira de estar na vida. Eu sou apenas um dos muitos elementos do Partido dos roubados, espoliados e enganados a que vocês chamam "Classe Média Baixa". Não lhes peço que ponham a mão na consciência, pois é coisa que não têm, mas que pensem bem no MONSTRO que estão a criar e no dia em que ele se voltar para vós.

A.P.


VALORES MENSAIS!!!!!
PORQUE ESTAMOS NA FALÊNCIA??????

420.000,00 € - TAP - administrador - Fernando Pinto
371.000,00 € - CGD - administrador - Faria de Oliveira
365.000,00 € - PT - administrador - Henrique Granadeiro
250.040,00 € - RTP - administrador - Guilherme Costa
249.448,00 € - Banco Portugal - administrador - Vítor Constâncio
247.938,00 € - ISP - administrador - Fernando Nogueira
245.552,00 € - CMVM - Presidente - Carlos Tavares
233.857,00 € - ERSE - administrador - Vítor Santos
224.000,00 € - ANA COM - administrador - Amado da Silva
200.200,00 € - CTT - Presidente - Mata da Costa
134.197,00 € - Parpublica - administrador - José Plácido Reis
133.000,00 € - ANA - administrador - Guilhermino Rodrigues
126.686,00 € - ADP - administrador - Pedro Serra
96.507,00 € - Metro Porto - administrador - António Oliveira Fonseca
89.299,00 € - LUSA - administrador - Afonso Camões
69.110,00 € - CP - administrador - Cardoso dos Reis
66.536,00 € - REFER - administrador - Luís Pardal: Refer
66.536,00 € - Metro Lisboa - administrador - Joaquim Reis
58.865,00 € - CARRIS - administrador - José Manuel Rodrigues
58.859,00 € - STCP - administrador - Fernanda Meneses

Total: 3.706.630,00 €

51.892.820,00 € - Valor do ordenado anual (12 meses + subs Natal + subs férias)
926.657,50 € - Média Prémios

Total: 52.819.477,50 €

900,00 € - Média de um funcionário públic
58.688,31 - nº de funcionários públicos que dá para pagar com o mesmo dinheiro


E DEPOIS AINDA QUEREM SABER SE A MALTA ESTÁ DISPOSTA A ABDICAR DO SUBSÍDIO DE FÉRIAS E/OU NATAL PARA AJUDAR O PAÍS...O exemplo q venha de cima!!!!!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Apagada...

Nem sei bem o que quero escrever ou se o quero fazer..

Acho que vou deixar os dedos fazerem o que lhes apetecer. Todo o resto do meu corpo faz o que quer sem que eu possa controlar..

Sinto-me cansada. Cansadsa de sentir dores constantes. Cansada de não conseguir reunir energia ou forças para fazer o que quero e me apetecia.

Na quinta, apos a hemodiálise, tive mais uma quebra de tensão. E logo eu que sempre tive a tensão alta, tenho agora demasiado baixa. Começo a deixar de ver, ouvir e fico ensopada num suor gelado. Pés para cima, cabeça para baixo. Espera… tenta ver se já melhorou, volta a mesma posição, espera… tenta, já esta.

Esta quinta foi diferente. Fui ate ao balneário calçar-me e voltei a sentir a tensão a baixar, então sentei-me numa cadeira e esperei que acalmasse. Quando me dei conta, num instante que me pareceu, estava deitada no chão, com alguém a dobrar-me as pernas para cima e um dos enfermeiros do centro a perguntar-me se o estava a ver. E eu a pensar que estava louca, a alucinar com os enfermeiros, ate que me dei conta que era real, não um sonho, mas real. Voltei para a sala de cadeira de rodas, sumos super açucarado para dentro da goela e mais tempo ate a tensão estar mais alta e estável.

Não vos sei explicar a sensação de não saber o que aconteceu. Como vim parar ao chão? Cai? Desmaiei? O enfermeiro diz que me encontrou por sorte no balneário. Mas estaria apagada na cadeira? E o mais esquisito é a sensação de perda de tempo ou controlo. Para mim foi um segundo, mas sei la quantos minutos foram ou não.

Cheguei a casa e chorei. Chorei de raiva, de magoa, de dor, de frustração.

Olho em volta e vejo toda a gente a viver a vida. E eu sinto que morro na minha e que por culpa arrasto o António para o meu sofrimento. Não sei mais o que fazer. Não consigo mais fingir que estou a lidar com isto numa boa, porque não estou. Estou nas ultimas e qualquer sorriso que faça não passa mais de uma mascara. Velha e gasta.



Esta tanto calor…

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Antonio fez anos dia 5 de Maio...

Não me apetece escrever, não me apetece quase nada. Todos os actos da minha vida neste momento teem que ser calculados e bem pensados. Eu não posso espirrar sem pensar se me é permitido fazer e quais as consequências depois.

Todos os momentos são um sofrimento. Todos os líquidos que bebo são uma sentença. O que as pessoas não compreendem e eu ainda tento entender é que um doente renal crónico aumenta de peso num instante por tudo e por nada. Todos os alimentos e líquidos que bebo, tudo fica e pesa mais. Por isso é que em cada sessão de tratamento nos tiram sempre o peso e isso dá cabo de uma pessoa naquela máquina. A última hora é o inferno.

Alguma vez tiveram uma quebra de tensão? Não queiram. É horrível. Deixam de ver, começa a ficar tudo brilhante e desfocado. Ficam gelados e suados de frio, parece que tomaram banho de água gelada. Deixam de ter forças sequer para falar, e se estiverem em pé, preparem-se para cair. Eu pessoalmente ate deixo de ouvir, primeiro de um ouvido, depois do outro e fico pálida. Tratamento? Colocar os pés para cima e a cabeça para baixo? Quanto tempo? Nunca se sabe. Quantas vezes? As necessárias. Sim, porque ao voltar a endireitar, podem voltar a ocorrer todas as sensações. Eu que sempre fui muito hipertensão, saio às vezes de lá com tensões de 10/8 – é baixo, acreditem.

Tou cansada. Cansada de me preocupar. Cansada de pensar em morte. Nunca pensei nisso antes. Não porque não me interessasse, mas porque tenho 26 anos e ninguém pensa nisso aos 26. Nem aos 30 ou até aos 40. Mas a morte é agora algo que esta sempre escondida na minha mente. A minha e a de quem amo. Acho que a minha eu consigo suportar. Não tenho medo de ir, tenho pena de deixar de cá estar. Mas a de quem amo é insuportável. Não seria capaz de conseguir lidar ou aguentar. Seria o último empurrão para derrubar-me por completo. Não quero nem imaginar, não vá atrair algo mau.

Por isso decidi que não quero o rim do António. Ele insiste e eu tou-me a cagar para o que ele insiste. Não quero. Terça que vem vamos a Lx fazer os testes de compatibilidade, mas não quero saber do resultado e espero que não sejamos compatíveis. OUVISTE MUNDO? Não quero o rim dele. Nem com ouro. Amo-o demasiado para isso…

Só quem esta no meu lugar é que pode opinar ou julgar.. ou saber como é.

Já pedi para que esta baixa seja a última. Quero recomeçar a trabalhar em Junho. 1 mês antes do meu 27º aniversário.

Engraçado… sempre disse quando era mais nova que nunca iria passar dos 30 J

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Respondendo a algumas perguntas…

Sim, continuo de baixa.
Como vou indo? Uns dias maus outros piores, alguns bons. Quando estou sentada e depois tenho que me levantar e andar, os meus joelhos parecem não querer funcionar e doem-me imenso. Coxeio quando começo a andar sempre que estou antes parada. A própria base do pé dói e custa a andar até apanhar o ritmo.
Quanto tempo vou ficar de baixa? Não sei. Não quero ficar muito tempo pois temo pela nossa liberdade e estabilidade financeira, mas há dias em que agradeço aos céus não ter que ir trabalhar pois juro que não conseguiria. Nunca sei quando acordo sem dores agoniantes no meu hematoma da perna ou no cateter ou na fistula. Cada dia é uma aventura no desconhecido da dor. Cada vez me habituo mais a sentir constantemente algum tipo de dor e já deixei até de tomar o comprimido que servia de analgésico pois já nem faz efeito.

O que sinto? Raiva, frustração, inquietação, medo, saudade. Raiva e frustração quando algo me relembra que já não estou equivalente a qualquer outro ser humano saudável, pois não sou saudável. Quando isso acontece? Quando por exemplo me apercebo que não posso beber sempre água quando tenho sede. Que não posso ir comer um gelado quando sentir calor e vontade. Que não posso comer fruta livremente. Que nem sequer feijão frade ou sopa posso comer. Que não consigo correr e que no supermercado tenho que me proteger de possíveis cotoveladas ou empurrões na fistula. Quando alguém vislumbra um bocado do penso do cateter no peito/pescoço e que por isso fica a olhar com aquele “olhar” – um misto de curiosidade, pena e medo.

Toda a minha vida tentei ser igual aos outros, invisível, mas mantendo a minha individualidade. Matar ou morrer, mas nunca desistir. Saber quando respirar e quando atacar. Um sorriso perante o medo e uma lágrima quando sinto tristeza.

Agora já não sou igual aos outros. Nunca voltarei a poder tentar ser. Mas também não sou individual. Neste momento parte do que fazia o meu “eu” perdeu-se. Perdi e continuo a perder numa luta que ainda agora começa e para a qual ainda não sei como lutar. Não desisto, mas não me encontro a vencer. Isso é de certeza. E isto é como me sinto.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Arrependimentos e Saudades

Tirei finalmente os pontos da fístula. Tem assim o formato de uma linha semi arredondada com 8 pontinhos de cada lado que era aonde estavam os pontos. Fica na dobra de dentro do braço esquerdo e funciona. Quando lhe toco sinto aquele vibrar típico da coisa. Detesto-a. É uma marca definitiva das dores que irei ter quando for usada para os tratamentos. Só de imaginar que irei ser picada sempre, 3 vezes por semana, naquele braço com aquelas agulhas que de pequenas não teem nada… ate tremo.

A única coisa boa da fístula é que me irá fazer tirar definitivamente o cateter que tenho no peito e que parece começar a provocar-me alguma alergia ou irritação na pele e isso pode desenvolver em infecção. O que não quero. Não quero nada disto. O que queria era ter apenas os problemas normais de uma pessoa de 26 anos. Queria andar preocupada com o que dar o António para os anos dele quando os mesmos se aproximam a correr. E não andar preocupada com a consulta de transplante em santa cruz na próxima terça da semana que vem. Não andar preocupada com os quilos que ganho se beber mais água. Não andar preocupada com os horários dos remédios. Não andar preocupada com os pagamentos das baixas. Não andar preocupada com os tratamentos e merdas afins.

Ate o simples prazer que eu tinha de tomar banho me foi tirado. Agora demoro uns 40 minutos minuciosos em que tenho que ter cuidado com o penso do cateter para não o molhar, com a fístula para não lhe tocar e o caralho afins. Tiraram-me todo e qualquer pequeno prazer que tinha antes. Nada de fruta, nada de água, nada de nada. Nem vontade para o que quer que seja tenho.

A única coisa que sei é que não posso parar. Se paro, nunca mais consigo continuar. Por isso continuo. Por isso pedi ao António para trazer a bicicleta de ginástica que temos e monta-la na sala. É o eu me ajuda a continuar quando tudo o resto me puxa para baixo. Ultimamente ate as minhas articulações me parecem castigar mais quando estou algum tempo parada e me tento mexer de novo.

Como o António diz: ele, que sempre bebeu na juventude, e que fuma que nem uma chaminé e come todo o tipo de merdas e doces, está ali forte que nem um touro. Eu, que sempre tentei comer saudável, nunca fumei, nunca bebi álcool nem fiz merdas, tou aqui a cair de podre.

E no meio disto tudo, ate sinto saudades dos clientes a reclamar e dos meus colegas “chatos”. O que eu não dava para poder voltar a esses tempos e dar-lhe o devido valor. :(
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