Estou aqui sentada a pensar... podia estar a passar a ferro... podia estar a organizar todos os milhares de papeis q temos espalhados... podia estar a ver tv... estou aqui a olhar para o monitor...
Sem fazer nada... incrível a ironia.. passei 3 anos e meio a correr sem ter um segundo para mim.. sem ter um segundo para me aperceber o quão cansada estava, porque se parasse, não sabia se conseguiria retomar o ritmo e aguentar tudo o que tinha q ser feito...
E agora? Agora estou aqui sentada.... "all dressed up and nowhere to go..."
Sinto que devia de fazer algo, aproveitar, valorizar, utilizar este tempo... mas ao invés disso, estou aqui a escrever isto e quando acabar, vou encostar-me para trás e ficar a olhar para o ecrã...
A ironia da coisa.....
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Declaração para quem me lê
Só quero deixar algo bem explicito, ser um doente
transplantado é , na procura de melhor palavra, overwhelming. É avassalador a
corrente de sentimentos, mudanças internas e externas, e a longa caminhada que
se inicia, especialmente para quem antes suportava o trajecto da diálise.
Cada um tem a sua forma de reagir, responder e absorver as situações. Nenhuma é correcta, tal como nenhuma é incorrecta. Cada qual é como si mesmo e apenas isso importa. Tomando a máxima que tantas vezes é usada quando fazemos perguntas sobre “como é o transplante, e isto e aquilo..” é-nos dito por médicos e enfermeiros que pode variar e a reacção das pessoas nem sempre é a mesma. É um mapa sem cantos definidos e cada um de nós tem as suas próprias passadas a dar.
as minhas não teem sido das piores, se formos pensar que até agora as analises teem vindo sempre bem, que me consigo mexer bem e caminhar, fazer tudo em casa, etc… há quem fique e sofra muito mais logo a seguir a operação e nos meses seguintes. Dito isto, eu sofro de outra maneira, e como tal, expresso-o porque é o meu direito e vontade fazê-lo.
quem se sentir sensibilizado ao ponto de exagero, feche a janela e não leia mais.
quem se sentir criticado ou ofendido ou chocado, faça o mesmo.
Expressar o que sinto, deitar fora o que queima cá dentro sempre foi e continuará a ser a forma como processo o balde cheio de emoções que me compõem e lamento que alguns não gostem, quase tanto quanto lamento que muitos fiquem preocupados e alguns se regozijem com os meus azares e sofrimentos. Mas não vou deixar de processar as coisas como sempre o fiz e funciona para mim. É assim que me mantenho sã mentalmente.
Há alturas que noto o meu descontrolo emocional e penso que devo alertar que todos os momentos são difíceis mas tenho consciência que não são eternos. Nada é eterno, seja de bom ou mau. Claro que nos momentos do descontrolo em si, é difícil encontrar a razão e a visão para compreender que o momento em questão é passageiro.
Seja por culpa da medicação ou não, os meus momentos menos felizes teem sido absorvidos por mim com uma força que me supera e por isso tenho tido dificuldade em encontrar o equilíbrio que sempre tive entre o insano e o são. Mas acredito, confio que tal como em imensas outras alturas da minha vida, também esta será ultrapassada e irei sair do outro lado diferente, mais evoluída, mais eu.. ainda que um eu diferente daquele que conheço agora.
Se até hoje nunca fiquei caída no chão depois de todos os tombos e rasteiras, não será agora que vou ficar.
Cada dia é novo, e alguns teem sido muito escuros.. mas sei que dias mais solarengos existirão.
Cada um tem a sua forma de reagir, responder e absorver as situações. Nenhuma é correcta, tal como nenhuma é incorrecta. Cada qual é como si mesmo e apenas isso importa. Tomando a máxima que tantas vezes é usada quando fazemos perguntas sobre “como é o transplante, e isto e aquilo..” é-nos dito por médicos e enfermeiros que pode variar e a reacção das pessoas nem sempre é a mesma. É um mapa sem cantos definidos e cada um de nós tem as suas próprias passadas a dar.
as minhas não teem sido das piores, se formos pensar que até agora as analises teem vindo sempre bem, que me consigo mexer bem e caminhar, fazer tudo em casa, etc… há quem fique e sofra muito mais logo a seguir a operação e nos meses seguintes. Dito isto, eu sofro de outra maneira, e como tal, expresso-o porque é o meu direito e vontade fazê-lo.
quem se sentir sensibilizado ao ponto de exagero, feche a janela e não leia mais.
quem se sentir criticado ou ofendido ou chocado, faça o mesmo.
Expressar o que sinto, deitar fora o que queima cá dentro sempre foi e continuará a ser a forma como processo o balde cheio de emoções que me compõem e lamento que alguns não gostem, quase tanto quanto lamento que muitos fiquem preocupados e alguns se regozijem com os meus azares e sofrimentos. Mas não vou deixar de processar as coisas como sempre o fiz e funciona para mim. É assim que me mantenho sã mentalmente.
Há alturas que noto o meu descontrolo emocional e penso que devo alertar que todos os momentos são difíceis mas tenho consciência que não são eternos. Nada é eterno, seja de bom ou mau. Claro que nos momentos do descontrolo em si, é difícil encontrar a razão e a visão para compreender que o momento em questão é passageiro.
Seja por culpa da medicação ou não, os meus momentos menos felizes teem sido absorvidos por mim com uma força que me supera e por isso tenho tido dificuldade em encontrar o equilíbrio que sempre tive entre o insano e o são. Mas acredito, confio que tal como em imensas outras alturas da minha vida, também esta será ultrapassada e irei sair do outro lado diferente, mais evoluída, mais eu.. ainda que um eu diferente daquele que conheço agora.
Se até hoje nunca fiquei caída no chão depois de todos os tombos e rasteiras, não será agora que vou ficar.
Cada dia é novo, e alguns teem sido muito escuros.. mas sei que dias mais solarengos existirão.
Caminhada de hoje: trying to change something, but accomplishing nothing...
Odeio
a cortisona, odeio a minha balança, odeio q por mais q faça tudo bem,
corra tudo ao contrário.... por isso continuo a andar, numa crença ou fé
cega de que, tal como me dizem, as coisas estão agora fresquinhas e
depois vão ao sitio...
o problema é q nunca fui uma pessoa de aceitar seguir ou acreditar em
fés sem provas e muito menos quando os resultados são tão instáveis e
mostram o contrário.....
Caminhada de hoje com info Endomondo...
Caminhada de hoje com info Endomondo...
domingo, 10 de novembro de 2013
DESCONTROLO TOTAL FISICO EMOCIONAL TUDO FDS!!!
Estou desde as 5h30 de olho aberto na cama a pensar, o q é ainda pior....
estou a sentir me descontrolada... cansada de toda esta instabilidade e descontrolo físico. o peso aumentou o debito urinário esta menor q o ingerido o apetite esta terrível e eu sinto como se tivesse a ser controlada por fios sem qualquer possibilidade de controlar o meu corpo ou as suas respostas ou reacções...
hoje tal como ontem n esta a ser um dia bom...
sera q melhora ou pelo menos estabiliza?
vocês n imaginam como é difícil.... ha alturas q penso q a diálise era mais fácil :'(
ontem tive q fugir de casa a tarde para parar de comer tudo o q me aparecia a frente. hoje aumentei 1.7kg desde ontem, a diferença urinaria é de 600ml, o intestino vai funcionando preguiçosamente, hormonalmente tanto me apetece bater em alguém como chorar, fodasse!!! estou farta de sentir que ando de arrasto numa montanha russa emocional física tudo!!!
hoje n sai para caminhar pq ontem andei perto de uns 13km e é o saldo q se vê!! já n sei se caminhar me faz suar mto e por isso o debito urinario bate como bate no saldo final!! apetece-me ir petiscando tudo e hoje enquanto estava na cama já ponderava perder qualquer ludidez e deitar fora qualquer coisa q esteja na despensa e possa ser comido sem cozinhar só para me impedir de ir comer.
nao sei se o peso a mais é liquidos acumulados, e isso significa q o rim nao funciona bem?
ou é gordura acumulada de tudo o que petisquei ontem: frutos secos, castanhas, gelatina, fruta...
ou é do intestino que por mais chá ou sementes de chia, ou legumes ou fruta que coma vai funcionando muito preguiçosamente e não á não sei...
já não sei nada. estou descontrolada e nao gosto, odeio e apetecia-me mandar tudo e todos po caralho e... e ignorem-me pq estou mesmo descompensada e já nem vejo cores á frente...
nem q fosse raptada por um alien isto poderia ser pior.
e quanto disto é efeitos da medicação e quanto disto é eu mesma?
como sei se estou bem de corpo e louca de mente ou serrá o inverso?
ISTO NÃO SOU EU!
Ou sou?
estou a sentir me descontrolada... cansada de toda esta instabilidade e descontrolo físico. o peso aumentou o debito urinário esta menor q o ingerido o apetite esta terrível e eu sinto como se tivesse a ser controlada por fios sem qualquer possibilidade de controlar o meu corpo ou as suas respostas ou reacções...
hoje tal como ontem n esta a ser um dia bom...
sera q melhora ou pelo menos estabiliza?
vocês n imaginam como é difícil.... ha alturas q penso q a diálise era mais fácil :'(
ontem tive q fugir de casa a tarde para parar de comer tudo o q me aparecia a frente. hoje aumentei 1.7kg desde ontem, a diferença urinaria é de 600ml, o intestino vai funcionando preguiçosamente, hormonalmente tanto me apetece bater em alguém como chorar, fodasse!!! estou farta de sentir que ando de arrasto numa montanha russa emocional física tudo!!!
hoje n sai para caminhar pq ontem andei perto de uns 13km e é o saldo q se vê!! já n sei se caminhar me faz suar mto e por isso o debito urinario bate como bate no saldo final!! apetece-me ir petiscando tudo e hoje enquanto estava na cama já ponderava perder qualquer ludidez e deitar fora qualquer coisa q esteja na despensa e possa ser comido sem cozinhar só para me impedir de ir comer.
nao sei se o peso a mais é liquidos acumulados, e isso significa q o rim nao funciona bem?
ou é gordura acumulada de tudo o que petisquei ontem: frutos secos, castanhas, gelatina, fruta...
ou é do intestino que por mais chá ou sementes de chia, ou legumes ou fruta que coma vai funcionando muito preguiçosamente e não á não sei...
já não sei nada. estou descontrolada e nao gosto, odeio e apetecia-me mandar tudo e todos po caralho e... e ignorem-me pq estou mesmo descompensada e já nem vejo cores á frente...
nem q fosse raptada por um alien isto poderia ser pior.
e quanto disto é efeitos da medicação e quanto disto é eu mesma?
como sei se estou bem de corpo e louca de mente ou serrá o inverso?
ISTO NÃO SOU EU!
Ou sou?
sábado, 9 de novembro de 2013
Efeitos da cortisona
Quando estava ainda internada e me sentia mais inchada, devido possivelmente ao intestino não funcionar ainda bem e os soros ainda a sairem etc... as enfermeiras avisavam dos efeitos da cortisona:
- cara de lua (não sinto que tenha o rosto como uma lua, noto um pouco mais inchado mas nada q se pareça com o que já vi por ai quando existe o efeito cara de lua...)
- inchaços em sitios onde antes não tinha (que depois iriam desaparecer á medida que a dosagem da cortisona fosse diminuida)
- borbulhas ou pêlo onde normalmente não existia
- aumento de apetite
- mudanças de humor (devido ao efeito sobre as hormonas..)
Eu duvidava desses sintomas, mas ouvi. E de todos, o que mais sinto e dá comigo em louca mesmo é o apetite. Eu que estava habituada a comer tão pouco, e agora, parece que me trocaram o estômago por um saco roto. Hoje então está terrível. Dei-me conta que de hora a hora andava a comer qualquer coisa, por menor que fosse, comia e comia e comia... ao ponto de ter almoçado bem, nada demasiado, mas bem e 1hora depois andar a petiscar castanhas cozidas á medida que as descascava, frutos secos que não devia tocar tanto (só em ultimo recurso), gelatina diet que fiz, fruta, sei lá...
Tive que sair de casa, mesmo tendo andado 8km de manhã, fui andar mais 5.5km só para fugir de casa e de qualquer comida.
ESTOU A DAR EM LOUCA!!!! ODEIO A MERDA DA CORTISONA PORRA!!!
E com todo este andar e com o efeito de auxilio do diurético muito menor, sinto que estou a beber muito e a urinar muito menos, mas claro, quem anda sua e quem sua perde líquidos.. e já não sei o que fazer ou pensar ou sentir... estou a ficar maluca, maluca mesmo!!! MESMO!!!
- cara de lua (não sinto que tenha o rosto como uma lua, noto um pouco mais inchado mas nada q se pareça com o que já vi por ai quando existe o efeito cara de lua...)
- inchaços em sitios onde antes não tinha (que depois iriam desaparecer á medida que a dosagem da cortisona fosse diminuida)
- borbulhas ou pêlo onde normalmente não existia
- aumento de apetite
- mudanças de humor (devido ao efeito sobre as hormonas..)
Eu duvidava desses sintomas, mas ouvi. E de todos, o que mais sinto e dá comigo em louca mesmo é o apetite. Eu que estava habituada a comer tão pouco, e agora, parece que me trocaram o estômago por um saco roto. Hoje então está terrível. Dei-me conta que de hora a hora andava a comer qualquer coisa, por menor que fosse, comia e comia e comia... ao ponto de ter almoçado bem, nada demasiado, mas bem e 1hora depois andar a petiscar castanhas cozidas á medida que as descascava, frutos secos que não devia tocar tanto (só em ultimo recurso), gelatina diet que fiz, fruta, sei lá...
Tive que sair de casa, mesmo tendo andado 8km de manhã, fui andar mais 5.5km só para fugir de casa e de qualquer comida.
ESTOU A DAR EM LOUCA!!!! ODEIO A MERDA DA CORTISONA PORRA!!!
E com todo este andar e com o efeito de auxilio do diurético muito menor, sinto que estou a beber muito e a urinar muito menos, mas claro, quem anda sua e quem sua perde líquidos.. e já não sei o que fazer ou pensar ou sentir... estou a ficar maluca, maluca mesmo!!! MESMO!!!
Dicas Uteis no Blog Cinco Sentidos na Cozinha
Andava a procura de dicas de como congelar as
castanhas para aproveitar as q comprei na promoção do Continente, e
encontrei este blog q já está nos favoritos ;)
http://cincosentidosnacozinha.blogspot.pt/p/dicas-e-truques-de-poupanca-e-nao-so.html
http://cincosentidosnacozinha.blogspot.pt/p/dicas-e-truques-de-poupanca-e-nao-so.html
Caminhada de hoje: Registo do Endomondo
Como de costume o GPS n conecta o inicio e o fim, portanto na realidade foram 2h e 8km e trocos ;)
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Reflexão...
Estava aqui a olhar para o relógio e a pensar quanto tempo falta para acordar o Tó e irmos ao Jumbo ver das promoções e comprar carnita para o meu carnivoro... e fiquei a olhar o blog, e a pensar "gosto dele como está, não mudava nada.." e fiquei a olhar o arquivo e o numero de tópicos que criei por ano.
E noto perfeitamente que perdi parte de mim e da minha essência enquanto fazia diálise. Por mais que oiça muita gente dizer que sou corajosa e forte e tal, senti-me uma fraca ao assumir perante mim mesma que permiti que parte da essência da pessoa que sou se perdesse no meio da diálise.
Deixei de pintar. Deixei de ler tanto. Deixei de meditar. Deixei de fazer reiki. Deixei de escrever. Quase que me perdi. Esta doença ensinou-me muito sobre mim, sobre os outros, sobre tudo. Devo-lhe um crescimento e evolução interno que possivelmente muitos só alcançam muito mais tarde na vida, mas nada disto foi sem um preço e custo. Custou e custa muito. Todos os dias são uma incerteza e uma caminhada. Não quero usar a palavra luta pois o percurso de um insuficiente renal em diálise é diferente e tem que ser considerado diferente ao de um insuficiente renal após transplante renal.
Ambos difíceis e a exigir cuidados, mas diferentes.
O que quero dizer e resumindo rapidamente pois ainda quero ir passar a ferro ;)... o que quero que fique aqui registado é que devia de ter lutado mais para preservar parte da minha essência. Fecha-la numa caixa para morrer ou deita-la fora no meio do pânico da descoberta da minha doença ou condição.. não é ou foi correcto. Agora tenho que redescobrir o que ficou da pessoa que era antes, o que criei com a pessoa que aprendi a ser e o que sou agora numa junção de ambas.
Por favor, preservem a vossa essência, as coisas por maiores ou mais pequenas que vos fazem, são e serão sempre parte de vocês, e nunca, em tempo algum, devemos aceitar abrir mão delas só porque a terra se rachou ao meio e parece que nos engoliu.
Porque, como eu digo sempre, todos os dias são dias novos e merecem o mesmo carinho e direito a serem um dia bom, por isso não neguem essa hipotese á partida apenas porque o dia que termina correu mal.
Bom fim de semana ;)
E noto perfeitamente que perdi parte de mim e da minha essência enquanto fazia diálise. Por mais que oiça muita gente dizer que sou corajosa e forte e tal, senti-me uma fraca ao assumir perante mim mesma que permiti que parte da essência da pessoa que sou se perdesse no meio da diálise.
Deixei de pintar. Deixei de ler tanto. Deixei de meditar. Deixei de fazer reiki. Deixei de escrever. Quase que me perdi. Esta doença ensinou-me muito sobre mim, sobre os outros, sobre tudo. Devo-lhe um crescimento e evolução interno que possivelmente muitos só alcançam muito mais tarde na vida, mas nada disto foi sem um preço e custo. Custou e custa muito. Todos os dias são uma incerteza e uma caminhada. Não quero usar a palavra luta pois o percurso de um insuficiente renal em diálise é diferente e tem que ser considerado diferente ao de um insuficiente renal após transplante renal.
Ambos difíceis e a exigir cuidados, mas diferentes.
O que quero dizer e resumindo rapidamente pois ainda quero ir passar a ferro ;)... o que quero que fique aqui registado é que devia de ter lutado mais para preservar parte da minha essência. Fecha-la numa caixa para morrer ou deita-la fora no meio do pânico da descoberta da minha doença ou condição.. não é ou foi correcto. Agora tenho que redescobrir o que ficou da pessoa que era antes, o que criei com a pessoa que aprendi a ser e o que sou agora numa junção de ambas.
Por favor, preservem a vossa essência, as coisas por maiores ou mais pequenas que vos fazem, são e serão sempre parte de vocês, e nunca, em tempo algum, devemos aceitar abrir mão delas só porque a terra se rachou ao meio e parece que nos engoliu.
Porque, como eu digo sempre, todos os dias são dias novos e merecem o mesmo carinho e direito a serem um dia bom, por isso não neguem essa hipotese á partida apenas porque o dia que termina correu mal.
Bom fim de semana ;)
Momento Poupança da Semana: Azeite a 50% desconto imediato no Continente
Estes 6 litros de azeite ficaram por 9.12€
:)
Como agora a unica gordura que uso para temperar ou cozinhar é azeite, esta poupança rendeu mesmo!
:)
Como agora a unica gordura que uso para temperar ou cozinhar é azeite, esta poupança rendeu mesmo!
Para pensar e sentir, sobre quem está longe querendo estar perto...
Começo por dizer que não sou emigrante, nunca sai de Portugal por enquanto e não me posso considerar filha de emigrantes apesar de o meu pai ter nascido em Angola mas ter vindo para Portugal em criança e mesmo isso, é português. Sou sim sobrinha e prima de emigrantes em França. Dito isto...
Não posso dizer que sei ou compreendo, porque por mais que se diga sempre que entendemos ou compreendemos, nunca podemos estar a ser 100% honestos até passar-mos por isso. Sempre vi os meus tios e primos a virem nas férias até Portugal e vi-os voltarem para casa um mês depois e apesar de sentir saudades e ficar triste com a despedida, sabia que no ano seguinte, os iria ver novamente.
Quando eu era criança ainda não havia cá as nets e faces e o caraças... eu e a minha prima trocávamos cartas e ainda assim, havia sempre a sensação de que no verão seguinte, eles cá estariam de volta. Inclusive era na altura dos meus anos e por isso era quase uma associação automática, fim da escola, aniversario e primos tios de França a chegarem. Para mim sempre foi normal e nunca pensei muito sobre o assunto.
Mas hoje é diferente. Diferente porque já não sou uma criança e sim uma mulher adulta que vive num pais onde infelizmente a alternativa, a única, para muitos amigos e conhecidos, tem sido emigrar. Alguns teem no sangue o espírito nómada que lhes permite desapegarem-se desta terra e adaptarem-se a uma vida sem raízes fixas. Outros por revolta ou até preferência numa vida numa sociedade ou povo diferente. E depois há os outros.. que tal como eu sabem que isto esta mal, que isto não vai melhorar em breve ou secalhar em longo tempo.. mas que Portugal ainda é Portugal, e o nosso povo, o nosso cheiro, o nosso som, o nosso céu.. a nossa terra é ainda esta e doí estar longe.
Como disse, não sei nem vou andar aqui com cinismo em dizer que consigo entender, porque só posso imaginar, mas sei e posso dizer que sinto a sua tristeza e saudade porque é a minha. Já e tão difícil tomar a decisão e fazer o salto, quanto mais aguentar uma realidade num local onde por mais que nos esforcemos, não é casa. Não é onde nos sentimos bem, onde conseguimos expirar ao fim do dia e apesar de tudo estar mal, sentirmo-nos em paz connosco e com o ambiente que nos rodeia.
O meu coração aperta-se por quem passa por isto e ainda mais apertado fica quando é alguém que mora nele. Os meus amigos, a minha família, as pessoas que são parte de mim intrinsecamente, pertencem e vivem eternamente no meu coração e é por eles que sinto. Sinto porque por mais que possa querer dizer, nada do que diga vai mudar esse sentimento.
Podia falar e escrever até me doerem os dedos e a voz, e nada iria mudar. Mas se o facto de continuar a escrever e a falar conseguir no mínimo fazer um viajante eternamente português sentir-se menos sozinho, menos longe de casa, ficarei aqui a escrever e a falar até que esta crise mude e possam voltar para casa.
sim, porque seja o sitio onde estejam, seja o idioma que oiçam, o ar que respirem, o céu que olhem... este cantinho á beira mar plantado, esta terra sofrida de um povo indignado e infelizmente um pouco passivo e muitas vezes tapado.. ainda é Portugal, e nós, estejamos onde estivermos, ainda somos e seremos sempre Portugueses, parte de um povo que já fez muito por este mundo, com uma História passada infelizmente mais rica do que a presente, e capaz ainda de muito no futuro que possa vir.
Por isso, sempre que te sentires, ou se sentirem desterrados e com saudades de casa, pensem que a bem ou a mal, eu estarei aqui a escrever e a falar, nem que seja para que possam sentir-se um pouco menos saudosos e um pouco mais reconfortados.
PS: não sei porquê mas acabei este tópico com lágrimas nos olhos, talvez porque sinto mesmo a solidão que é estar longe.. Se o que escrevi parecer desmontado de lógica, é porque foi escrito com o coração e não com a mente.
Não posso dizer que sei ou compreendo, porque por mais que se diga sempre que entendemos ou compreendemos, nunca podemos estar a ser 100% honestos até passar-mos por isso. Sempre vi os meus tios e primos a virem nas férias até Portugal e vi-os voltarem para casa um mês depois e apesar de sentir saudades e ficar triste com a despedida, sabia que no ano seguinte, os iria ver novamente.
Quando eu era criança ainda não havia cá as nets e faces e o caraças... eu e a minha prima trocávamos cartas e ainda assim, havia sempre a sensação de que no verão seguinte, eles cá estariam de volta. Inclusive era na altura dos meus anos e por isso era quase uma associação automática, fim da escola, aniversario e primos tios de França a chegarem. Para mim sempre foi normal e nunca pensei muito sobre o assunto.
Mas hoje é diferente. Diferente porque já não sou uma criança e sim uma mulher adulta que vive num pais onde infelizmente a alternativa, a única, para muitos amigos e conhecidos, tem sido emigrar. Alguns teem no sangue o espírito nómada que lhes permite desapegarem-se desta terra e adaptarem-se a uma vida sem raízes fixas. Outros por revolta ou até preferência numa vida numa sociedade ou povo diferente. E depois há os outros.. que tal como eu sabem que isto esta mal, que isto não vai melhorar em breve ou secalhar em longo tempo.. mas que Portugal ainda é Portugal, e o nosso povo, o nosso cheiro, o nosso som, o nosso céu.. a nossa terra é ainda esta e doí estar longe.
Como disse, não sei nem vou andar aqui com cinismo em dizer que consigo entender, porque só posso imaginar, mas sei e posso dizer que sinto a sua tristeza e saudade porque é a minha. Já e tão difícil tomar a decisão e fazer o salto, quanto mais aguentar uma realidade num local onde por mais que nos esforcemos, não é casa. Não é onde nos sentimos bem, onde conseguimos expirar ao fim do dia e apesar de tudo estar mal, sentirmo-nos em paz connosco e com o ambiente que nos rodeia.
O meu coração aperta-se por quem passa por isto e ainda mais apertado fica quando é alguém que mora nele. Os meus amigos, a minha família, as pessoas que são parte de mim intrinsecamente, pertencem e vivem eternamente no meu coração e é por eles que sinto. Sinto porque por mais que possa querer dizer, nada do que diga vai mudar esse sentimento.
Podia falar e escrever até me doerem os dedos e a voz, e nada iria mudar. Mas se o facto de continuar a escrever e a falar conseguir no mínimo fazer um viajante eternamente português sentir-se menos sozinho, menos longe de casa, ficarei aqui a escrever e a falar até que esta crise mude e possam voltar para casa.
sim, porque seja o sitio onde estejam, seja o idioma que oiçam, o ar que respirem, o céu que olhem... este cantinho á beira mar plantado, esta terra sofrida de um povo indignado e infelizmente um pouco passivo e muitas vezes tapado.. ainda é Portugal, e nós, estejamos onde estivermos, ainda somos e seremos sempre Portugueses, parte de um povo que já fez muito por este mundo, com uma História passada infelizmente mais rica do que a presente, e capaz ainda de muito no futuro que possa vir.
Por isso, sempre que te sentires, ou se sentirem desterrados e com saudades de casa, pensem que a bem ou a mal, eu estarei aqui a escrever e a falar, nem que seja para que possam sentir-se um pouco menos saudosos e um pouco mais reconfortados.
A vossa casa ainda é Portugal, prometo.
PS: não sei porquê mas acabei este tópico com lágrimas nos olhos, talvez porque sinto mesmo a solidão que é estar longe.. Se o que escrevi parecer desmontado de lógica, é porque foi escrito com o coração e não com a mente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




