sábado, 6 de junho de 2015

23ª Consulta: Até para nos podermos levantar temos que chegar ao fim do poço...

Normalmente escrevo o registo das minhas consultas no mesmo dia ou no dia seguinte o mais tardar.
Este vem com uma semana de atraso. Porquê?

Porque eu não ando eu mesma. Porque não me sinto inteira ou dona da minha vontade, força ou espírito. Porque, parafraseando os médicos e enfermeira que me viram no dia da consulta, eu estou com uma depressão. Eu. Com uma depressão. Ainda me soa a anedota ou surreal. Depois de tudo o que já vivi na minha vida. De tudo o que aparei, aguentei, naveguei e superei e estou AGORA com uma depressão? Não me leiam de foram arrogante ate porque como já disse algures, eu escrevo para mim, por mim, em forma de catarse ou organização exterior do que me entope interiormente. E de forma paralela, uso o meu eu como prova de que não sou diferente ou individual e se não o sou, também tu que me lês e pensavas ser o único a passar pelo que descobres agora que eu passo… também não és um ET neste mundo. Na pior das hipóteses, somos dois ET’s neste universo, mas que fiquemos cientes de que sozinhos ou excluídos nunca seremos. Somos apenas complicados e somos mais do que pensamos. Isto é positivo, não achas?


Mas como dizia. Eu estou com uma depressão. 

Eu que não consigo ficar na cama por mais sono que tenha. Que todos os dias faço o que tem que ser feito em casa, dou 150% no trabalho e divido os minutos poucos que tenho em tentar manter vivos os fracos fios de comunicação que me ligam ás pessoas especiais na minha vida. Eu que não me escondo nem desejo de forma alguma terminar a vida que tanto luto para viver e ser minha. Eu estou deprimida. … Tenho que dizer que concordo para que seja real ou é real mesmo que eu discorde? Vale de algo discordar? Ou concordar? O Tó diz que a negação é uma prova da depressão. Acho que ele confunde aqui com os viciados… mas se calhar é tudo o mesmo. Ou parecido. Quem sabe…

A consulta.. como disse no post que escrevi enquanto estava a decorrer a manhã da mesma (ler : Desabafo da primeira parte da consulta...  ) , tive dois (seguido de um terceiro com o nefrologista na altura de saber como correram as analises) breakdowns. Prefiro não me prolongar muito mais na violência emocional que foi aquele dia. Odeio o completo sentimento de medo e receio pelo resultado dos exames e a incerteza de saber como estou. Pior. Saber que não me tenho sentido bem emocional e psicologicamente e o pânico de que isso se comece a manifestar fisicamente. Nem quero recordar esse sentimento por isso prefiro ficar por aqui no que a isso refere.
 
 
Resultados: ureia, creatinina subiram. Nada alarmante mas subiram. Peso subiu. Tensão arterial também subiu. Justificaram em parte pela forma como me tenho sentido emocionalmente. Nervos, ânsia, stress… era quase irreal que não houvessem demonstrações físicas do meu estado constante. E por favor não me digam o que eu sei. Que não me devia de deixar afectar por bla bla, ou que sou mais forte do que bla bla ou que vou ultrapassar isso bla bla.. não me levem a mal, mas eu sei disto tudo. Simplesmente se calhar não sou mesmo tão forte quanto acham. Se calhar não é uma escolha masoquista minha deixar que isto me afecte. Se calhar não sei como ultrapassar isto. Se calhar á momentos em que quero apenas gritar e berrar. Não devo ser uma boa depressiva porque ao invés de esconder-me sobre mantas e chorar o dia todo, eu quero sair á rua e gritar e bufar (com algumas lágrimas ao meio de certeza… eu largo-as quando atinjo picos de emoção) aos quatro ventos tudo o que me pesa na alma.
 
 
Portanto, os valores estão um pouco alterados, mas ainda nada de grave. Foi detectado uma possível nova infecção similar à de Dezembro de 2014 quando tive que estar a tomar aquele medicamente quase 4 meses ou 5.. é identificada nas analises como PTHi. Irei repetir as analises de forma adequada e direccionadas para tirar a limpo se é confirmado ou não daqui a 1 mês. Sim… as consultas ao invés de espaçarem alem dos 2 meses, a próxima encurtou. E pelo médico seria daqui a 10 dias, mas ficou acordado devido a agendas e etc que ficaria para dia 3 de Julho.
 
 
Na medicação alteraram o tacrolimus para 5mg ao invés de 5.5mg. E o medico decidiu receitar-me meio comprimido de Victan de manha e a outra metade de tarde se sentir que preciso. Victan é um antidepressivo. Argumentei que não queria, que tenho receio dos efeitos, que não me quero sentir meio adormecida ou mocada… mas após insistência e recomendação, cá vim com a receita que aviei e tenho tomado o meio comprimido de manha e o efeito é zero. Faz menos que o calmante que tomava antes. Com o calmante ficava calma, com o antidepressivo nesta dosagem, não sinto nadica de nada de efeito. Nem calma nem nada. Mas recuso-me a tomar a outra metade de tarde. Ainda receio ficar uma zombie e pior que isso, criar habituação ou o que seja..  O calmante foi-me dito para tomar só se precisar de ajuda a noite para dormir. Mas também deixei de o tomar.


Faço bem? Faço mal?
Já não sei se o que decido fazer ou as consequências que me acontecem tem alguma influencia minha boa ou má. Sinto-me descontrolada dentro de mim mesma. Como se me tivessem sentado amarrada a uma cadeira dentro de mim mesma e me façam girar e girar e girar e totalmente indefesa ao que vou vendo acontecer, vou bufando e gritando e sentindo as emoções mas sem qualquer poder sobre elas ou controlo sobre o que as faz surgir. Sinto que perdi alguma válvula ou sofri algum dano e agora funciono danificada. Metade do que era. Menos do que sou.
 
   
Alguém me entende? Será que faço sentido ou devo reservar cama no Júlio de Matos?
Por favor não me levem a mal se sentirem que brinco com coisas sérias. Tento achar uma fuga lógica para o amontoado de pensamentos que ainda tento descortinar. Desculpem se me levarem a mal. Combinado?

Tenho portanto medicação alterada, ordens para ficar melhor, perder peso, caminhar e abstrair-me daquilo que me colocou neste buraco em que estou.

Por isso e após 1 semana de baixa que o medico me receitou (e terminou esta quinta passada), rescindi o meu contracto e … e agora o futuro me dirá se tomei uma decisão que me ajudará ou não.

Próxima consulta: 3 de Julho

Wish me luck. 
E por favor, não se preocupem. Agradeço de coração que o façam, mas não gosto de saber que ficam assim por minha causa. 


PS: Não sei lidar com a pergunta “como estas?” e respondo sempre “bem, ok, tudo bem” porque a resposta “mal, péssima, não sei, estou um caos, help” é-me impossível e inatural de dizer. Alguém por ai que se identifique com isto… ?


PS1: Peço desculpa a todas as pessoas que sentem que não lhes respondo ou falo. Juro por tudo que não é nada contra ninguém. Sou literalmente eu (velho chavão eu sei, mas sincero e real aqui).

(a ultima consulta foi no dia 29 de Maio e mais uma vez desculpem o atraso neste registo)
    

3 comentários:

  1. Espero que consiga lidar com esse "desassossego" da melhor maneira possivel e tudo lhe corra pelo melhor.

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  2. Foi-me diagnosticado há 5 anos atrás ataques de pânico e ansiedade. Nunca me senti tão mal em toda a minha vida! Comecei a tomar antidepressivos e calmantes e fiquei muito melhor! Continuo a ter ansiedade e depressão há mesma, mas os sintomas já não são tão exagerados.
    Quanto aos efeitos secundários da medicação há vários: desde enfraquecimento capilar, queda de cabelo, perda de memória, etc., mas penso que se não tomar é muito, mas muito pior! Tenho medo de voltar a ter ataques de pânico e enlouquecer...

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  3. Ana Freitas00:18

    Estou teoricamente curada de uma que me foi diagnosticada há 4 anos atrás. No entanto, sinto que nunca mais fui a mesma. As problemas que antes eram pequenos são agora grandes...gigantes até... E muitas vezes sinto que não sei mais lidar com a vida... Tenho ataques de pânico e ansiedade constantes porque passei a viver aflita com o amanhã e pouco concentrada no dia de hoje...
    Força!!

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Obrigada :)

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